Filho de doméstica e há 18 anos trabalhando como gari, servidor conta que sonho de ser advogado foi adiado por falta de dinheiro
Gari é aprovado em exame da OAB e história emociona em Goiás O sonho de se tornar advogado começou quando Antônio José Júnior de Oliveira tinha apenas 5 anos. Filho de uma empregada doméstica, ele cresceu ouvindo da mãe sobre a importância dos estudos, mas precisou adiar a vontade de cursar Direito por falta de condições financeiras. Hoje, aos 42 anos, depois de 18 anos de trabalho na Companhia de
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Gari é aprovado em exame da OAB e história emociona em Goiás
O sonho de se tornar advogado começou quando Antônio José Júnior de Oliveira tinha apenas 5 anos. Filho de uma empregada doméstica, ele cresceu ouvindo da mãe sobre a importância dos estudos, mas precisou adiar a vontade de cursar Direito por falta de condições financeiras. Hoje, aos 42 anos, depois de 18 anos de trabalho na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), ele comemora a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
À repórter Tatiane Barbosa, Antônio contou que a mãe, Ivani Vavier de Souza, foi sua maior inspiração. Ela trabalhava como empregada doméstica e passadeira para sustentar os filhos e sempre os incentivou a estudar.
“Ela nos criou trabalhando como empregada doméstica, passando roupa, mas sempre nos ensinou a importância dos estudos, para buscar uma vida melhor e servir à sociedade”, contou.
Antes de realizar o sonho de cursar Direito, Antônio seguiu outros caminhos profissionais. Formou-se como técnico em enfermagem, estudou Teologia e concluiu uma especialização em oratória. Enquanto isso, continuou trabalhando na Comurg, onde passou 13 anos na coleta orgânica, três na coleta seletiva e um ano e meio na varrição.
A oportunidade de estudar Direito veio com uma bolsa de estudos mantida pela universidade. A partir daí, Antônio precisou dividir os dias entre as aulas, o estágio e o trabalho. Pela manhã, estudava das 8h às 12h. À tarde, acompanhava audiências durante o estágio e, das 16h às 22h, cumpria o expediente na Comurg.
Antônio José Júnior de Oliveira concilia o trabalho na Comurg com a advocacia, após realizar o sonho de se formar em Direito e ser aprovado na OAB.
Divulgação/Comurg e Arquivo pessoal de Antônio José Júnior de Oliveira
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O caminho até a advocacia
A rotina exigiu que Antônio abrisse mão de boa parte do tempo livre. Segundo ele, a dedicação aos estudos se estendia aos sábados, domingos e feriados, com jornadas que chegavam a 12 ou 13 horas de estudo.
“A grande dificuldade era a disciplina de estudo e a dedicação, pois o curso de Direito exige muito tempo de estudo”, afirmou.
Antônio concluiu a graduação em quatro anos e meio, em julho, e abriu o próprio escritório em agosto. A aprovação no 45º Exame da OAB ocorreu em fevereiro de 2026, segundo a seccional de Goiás. Ele está inscrito na Ordem desde 14 de setembro.
Mesmo depois de conquistar o diploma e começar a advogar, Antônio decidiu continuar na Comurg. Após ser aprovado em um processo seletivo interno, passou a trabalhar como supervisor de abastecimento de combustível. No período da tarde, atende os clientes do escritório.
Atualmente, atua na área trabalhista, escolha que, segundo ele, está ligada ao desejo de ajudar outras pessoas.
“O Direito do Trabalho é uma forma de trazer justiça e de pacificar a sociedade. O meu propósito é servir à sociedade, trazer paz e ajudar as pessoas a resolver seus problemas”, declarou.
Para Antônio, a conquista representa a realização de um desejo que o acompanhou desde a infância e que precisou esperar por uma oportunidade para sair do papel. A história também carrega os ensinamentos da mãe, que, mesmo diante das dificuldades financeiras, nunca deixou de incentivar os filhos a estudar.
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