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Fóssil de ‘quimera’ de 165 milhões de anos revela pistas sobre a origem da amamentação

Reconstrução artística do Megacauda, animal semiaquático do Jurássico que tinha cauda larga para nadar e dentes adaptados à captura de peixes. April I. Neander Um fóssil de cerca de 165 milhões de anos encontrado na China está ajudando cientistas a entender quando surgiram estruturas usadas por mamíferos para mamar, beber e engolir alimentos. Batizado de Megacauda sungei, o animal viveu no período

Por Redação Publicado em 7 de outubro de 2026 às 12:00 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Fóssil de ‘quimera’ de 165 milhões de anos revela pistas sobre a origem da amamentação
Publicado originalmente por [fonte]

Reconstrução artística do Megacauda, animal semiaquático do Jurássico que tinha cauda larga para nadar e dentes adaptados à captura de peixes.

April I. Neander

Um fóssil de cerca de 165 milhões de anos encontrado na China está ajudando cientistas a entender quando surgiram estruturas usadas por mamíferos para mamar, beber e engolir alimentos.

Batizado de Megacauda sungei, o animal viveu no período Jurássico e fazia parte de um grupo de parentes antigos dos mamíferos. O exemplar preservou de forma rara pequenas estruturas ósseas da garganta, normalmente difíceis de encontrar em fósseis tão antigos. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia

“O Megacauda é uma quimera moldada por duas linhas de evolução convergente. Sua pelve, patas traseiras e pés são muito parecidos com os do ornitorrinco. Mas seus dentes e mandíbulas lembram os de um predador aquático”, explicou ao g1 Zhe-Xi Luo, professor de Biologia Organísmica e Anatomia da Universidade de Chicago e um dos autores do trabalho.

➡️ A análise indica que mecanismos ligados à sucção de leite e à deglutição já estavam presentes entre esses parentes dos mamíferos muito antes do surgimento das espécies modernas.

O estudo foi publicado na revista científica "Nature" nesta quarta-feira (07). O fóssil foi encontrado na região da Mongólia Interior, região autônoma no norte da China, em rochas datadas entre 163 milhões e 168 milhões de anos.

Por mais que aparente, o Megacauda não era um ornitorrinco nem um ancestral direto do animal atual. Ele pertencia aos chamados docodontes, grupo extinto próximo da linhagem que deu origem aos mamíferos modernos.

Dessa forma, segundo Luo, o fóssil ajuda a entender tanto a locomoção desses animais quanto a evolução das estruturas usadas na alimentação.

“As novas informações anatômicas do Megacauda lançam luz sobre dois aspectos da vida dos primeiros mamíferos: como moviam as patas traseiras e a cauda e quão bem conseguiam engolir líquidos e alimentos mastigados quando adultos e mamar quando filhotes”.

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E a principal novidade está justamente na região da garganta.

Nos mamíferos atuais, pequenos ossos e músculos ajudam a controlar movimentos da língua, do palato e da passagem de alimentos e líquidos. Como essas estruturas são muito delicadas, raramente ficam preservadas por milhões de anos.

“A complexa estrutura de músculos e ossos da garganta dos mamíferos é muito delicada. Os ossos que sustentam o palato mole, os músculos da garganta e a língua são todos muito pequenos e raramente são preservados nos fósseis de crânios”, afirmou o pesquisador.

No caso do Megacauda, os ossos foram preservados em posição suficiente para que os cientistas reconstruíssem parte da anatomia da garganta e comparassem o conjunto com o observado em mamíferos atuais. LEIA TAMBÉM:

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Ainda de acordo com Luo, a parte inferior do crânio e o teto da garganta já apresentavam semelhanças com estruturas vistas em animais atuais, como gambás e cães.

“O Megacauda possui as mesmas estruturas ósseas que sustentam os músculos da garganta e dão suporte ao movimento da língua nos mamíferos modernos.”

Essas estruturas estão relacionadas à sucção de leite nos filhotes e à passagem de líquidos e alimentos nos adultos.

“Isso leva a origem dessas características e funções biológicas dos mamíferos para muito mais fundo na história evolutiva. Somos mamíferos. Com esse fóssil, agora entendemos um pouco melhor nossa própria evolução”, acrescentou o pesquisador.

Os cientistas, porém, não encontraram os músculos preservados diretamente. A presença e o funcionamento deles foram inferidos a partir dos ossos e dos pontos de ligação dessas estruturas, em comparação com mamíferos atuais.

Mas além da garganta, o fóssil chamou atenção pelo modo de vida do animal.

O Megacauda pesava entre 1 e 2 quilos, tamanho próximo ao de um ornitorrinco atual, e é considerado pelos autores o maior mamaliaforme conhecido do Jurássico. Fóssil do Megacauda analisado pelos pesquisadores, em imagem de fluorescência de raios X que destaca ossos e tecidos preservados.

Luo et al./Nature

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Enquanto o ornitorrinco se alimenta principalmente de pequenos invertebrados, o Megacauda provavelmente caçava peixes, salamandras e outros animais aquáticos. Os dentes tinham formato adaptado para cortar alimento. Luo compara essa parte do modo de vida às lontras, inclusive à ariranha brasileira.

“Em alimentação e ecologia, o Megacauda é mais semelhante às lontras de rio. É uma versão menor e muito mais antiga, de forma análoga, da famosa ariranha brasileira. Ele é metade parecido com um ornitorrinco e metade parecido com uma lontra.”

Os cientistas acreditam que o animal procurava alimento na água, mas passava parte do tempo em terra e provavelmente se abrigava em tocas próximas a lagos e rios. A descoberta também reforça que os parentes dos mamíferos que viveram na época dos dinossauros tinham modos de vida mais variados do que se imaginava. Já são conhecidos animais terrestres, escavadores, arborícolas, planadores e nadadores daquele período. Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

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