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quarta-feira, 30 de setembro de 2026
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Justiça nega recurso e PMs acusados de matar estudante de medicina em SP vão a júri popular

PM que matou estudante de medicina em SP contou versões diferentes do crime A 12ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou, por unanimidade, o recurso apresentado pelas defesas dos policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, acusados da morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, em novembro de 2024, na Vila Mariana,

Por Redação Publicado em 30 de setembro de 2026 às 09:12 4 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Justiça nega recurso e PMs acusados de matar estudante de medicina em SP vão a júri popular
Publicado originalmente por [fonte]

PM que matou estudante de medicina em SP contou versões diferentes do crime

A 12ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou, por unanimidade, o recurso apresentado pelas defesas dos policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, acusados da morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, em novembro de 2024, na Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo.

O jovem foi morto com um tiro à queima-roupa disparado no saguão do hotel em que estava hospedado, na Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo, em novembro de 2024. Com a decisão, tomada nesta terça-feira (29), os dois policiais serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri. O TJSP também manteve as duas qualificadoras apontadas na acusação: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A data do júri popular ainda não foi definida.

A defesa dos PMs haviam pedido a absolvição dos réus ou a impronúncia — quando o acusado não é levado a júri por falta de elementos suficientes. Também solicitaram que as qualificadoras fossem retiradas do processo.

Em entrevista ao g1 nesta terça-feira (29), Júlio Cesar Acosta Navarro, pai de Marco Aurélio, se emocionou ao falar sobre a decisão. Com a voz embargada, o médico afirmou que o julgamento representa um avanço no processo e destacou manifestações feitas durante a sessão.

"Estou emocionado, porque o desembargador, o procurador, os outros advogados fizeram uma espécie de homenagem a meu filho hoje, no sentido de que agora avança mais uma etapa do processo da justiça", afirmou.

Segundo Julio, os desembargadores entenderam que os dois policiais devem responder perante o Tribunal do Júri.

"Todos os desembargadores concordaram que esses dois covardes PMs são réus, são assassinos, esses dois assassinos têm que ir ao tribunal de júri", completou.

Julio também criticou o fato de os policiais continuarem soltos e usando a farda da Polícia Militar. Ele pediu que a corporação seja responsabilizada pela permanência dos dois na instituição.

"Esses dois assassinos estão vestindo a farda e estar aí, soltos, ameaçando as pessoas, dando um mau exemplo e sujando a corporação. Foi uma caçada humana [o que fizeram com o meu filho]", disse.

O pai também disse que, segundo a versão apresentada por ele, os policiais teriam conversado antes da abordagem e perseguido Marco Aurélio. Ele afirmou ainda que o estudante estava sem camisa no momento dos disparos.

Defesa diz que legítima defesa está comprovada

Em nota, a defesa dos policiais afirmou que respeita a decisão do Tribunal de Justiça, mas discorda do entendimento dos desembargadores.

"A defesa respeita a decisão do Tribunal de Justiça, mas não concorda. Os aspectos da legítima defesa estão devidamente comprovados nos autos e os acusados não deveriam ser submetidos a júri popular."

A tese de legítima defesa havia sido apresentada pelas defesas dos PMs durante o processo.

Estudante de Medicina Marco Aurélio e o pai

Reprodução/Arquivo pessoal

Qualificadoras são mantidas

De acordo com a nota enviada pela defesa da família de Marco Aurélio, além de decidir pela manutenção da pronúncia, o TJSP manteve as duas qualificadoras atribuídas ao caso: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A assistência de acusação afirma que a manutenção das qualificadoras representa o entendimento, nesta fase do processo, de que existem elementos suficientes para que essas circunstâncias sejam analisadas pelo Tribunal do Júri.

A decisão não representa uma condenação dos policiais. A pronúncia apenas determina que o caso seja levado ao julgamento popular, que será responsável por decidir sobre a responsabilidade dos réus.

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