Moradores e comerciantes de Oswaldo Cruz cobram reforço na segurança após série de assaltos
Moradores e comerciantes de Oswaldo Cruz pedem reforço no policiamento Moradores e comerciantes de Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio, cobram reforço na segurança diante de uma sequência de assaltos no bairro. Relatos de vítimas apontam roubos com disparos de arma de fogo, enquanto comerciantes afirmam que o medo da violência tem reduzido o movimento e levado estabelecimentos a fechar mais cedo. E
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Moradores e comerciantes de Oswaldo Cruz pedem reforço no policiamento
Moradores e comerciantes de Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio, cobram reforço na segurança diante de uma sequência de assaltos no bairro. Relatos de vítimas apontam roubos com disparos de arma de fogo, enquanto comerciantes afirmam que o medo da violência tem reduzido o movimento e levado estabelecimentos a fechar mais cedo. Em um dos casos mais recentes, um homem que chegava em casa em um carro de aplicativo escapou de ser baleado durante uma tentativa de assalto. Segundo a vítima, um carro fechou a passagem e um dos criminosos atirou quando ele tentou fugir.
Outros moradores também relataram ter sido perseguidos e assaltados por homens em motos. A insegurança, segundo quem vive e trabalha na região, tem mudado a rotina de quem precisa sair de casa para trabalhar ou circular pelo bairro.
Moradores e comerciantes de Oswaldo Cruz cobram reforço na segurança após série de assaltos
Reprodução
Morador escapa de tiro
Roberto Tomazzi, gerente de restaurante e morador de Oswaldo Cruz desde criança, conta que chegava em casa em um carro de aplicativo quando foi surpreendido por criminosos. Ao perceber o assalto, ele correu, mas um dos homens atirou em sua direção.
"Quando ele viu que eu não ia parar, ele efetuou um disparo e nesse exato momento eu sofri uma queda. E foi ai, acredito eu, que ele tenha achado que tinha me alvejado, então ele retornou". "Nesse momento eu consegui entrar em casa em segurança. Machuquei um pouco a perna, mas diante do que podia ter sido não foi nada", contou o morador.
Roberto afirma que já havia sido assaltado anteriormente no mesmo local. Na ocasião, segundo ele, reagiu depois que os criminosos erraram repetidamente a senha do celular que ele havia informado.
"Da outra vez eu tive que reagir porque o assaltante estava me pedindo a senha do telefone e eu passei três vezes e nas três vezes ele errou. Na terceira vez, o rapaz que estava pilotando a moto falou 'atira porque é policial'". "Eu tive que bater na arma dele, a arma dele caiu, e eu tive que correr como fiz dessa vez", lembrou Roberto.
Outros ataques
Os relatos de violência não se restringem ao caso de Roberto. Horas depois, outro morador que voltava da academia foi abordado por dois homens em uma moto. Um deles desceu do veículo, perseguiu a vítima e atirou. O homem conseguiu escapar sem ser atingido.
Pouco depois, a mesma dupla teria abordado uma família que abria a garagem de casa. Parte dos moradores conseguiu entrar no imóvel, enquanto um homem entregou o celular e a mochila aos assaltantes.
O funcionário público Alexandre Maia também relata casos envolvendo pessoas próximas. Segundo ele, o sogro foi assaltado de madrugada, quando saía para trabalhar, e a esposa foi abordada em outra ocasião. Nesta semana, a cunhada e o cunhado também teriam sido roubados na saída da academia.
"Não tem hora não (...) Já foi assaltado de manhã, 5h da manhã levaram celular e carteira. Minha esposa sai pra trabalhar as 7h, foi assaltada com a colega. E essa semana ainda, minha cunhada e meu cunhado saindo da academia também, parou uma moto de cada lado, levaram aliança carteira, celular, tudo. E chave do carro também", contou.
Moradores e comerciantes de Oswaldo Cruz cobram reforço na segurança após série de assaltos
Reprodução TV Globo
A violência também alterou a rotina de Neia Santos, jornaleira que afirma já ter sido vítima de quatro roubos de celular. Para evitar novos prejuízos, ela passou a sair de casa sem o aparelho em determinadas ocasiões.
"A gente não tá vivendo, nós estamos sobrevivendo. A verdade é essa. A gente sai de madrugada para trabalhar e eles estão aí à solta, assaltando a gente". Ela conta que, aos domingos, deixa o celular em casa e caminha até a estação de Madureira para pegar ônibus.
"Domingo, eu deixo meu celular em casa porque não tem ninguém na rua. Vou andando até a estação de Madureira pra pegar ônibus. É o medo. É o medo, o barulho da moto te deixa apavorada".
Comerciantes fecham mais cedo
O medo dos assaltos também afeta o comércio local. Paulo Carvalho, dono de uma padaria que funciona há 42 anos no bairro, diz que o movimento vem caindo e que o estabelecimento precisou reduzir o horário de funcionamento.
"Você tem uma sensação de insegurança. O movimento cai, a pessoa fica com medo".
Segundo o comerciante, as pessoas já não circulam tranquilamente pelo bairro e vivem com receio de serem abordadas a qualquer momento.
"As pessoas saem por obrigação mesmo. Você não consegue mais transitar tranquilamente".
Paulo afirma que a padaria, que antes fechava às 23h, passou a encerrar as atividades às 20h. Aos domingos, o fechamento ocorre às 21h. A redução do expediente, segundo ele, dificulta a manutenção das despesas do negócio.
Polícia investiga os casos
A Polícia Civil informou que investiga os casos de assalto relatados em Oswaldo Cruz. Já a Polícia Militar afirmou que prendeu, neste ano, 445 suspeitos na área do batalhão de Rocha Miranda, que abrange o bairro.
Segundo a corporação, o patrulhamento ostensivo é realizado regularmente com carros e motos. A recomendação das forças de segurança é que as vítimas não reajam a assaltos.