Ir para o conteúdo principal
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
AGORA RIO
Cidades

MP denuncia ex-secretária e empresário por desmatamento de Mata Atlântica para obra de empreendimento na Grande Natal

Área desmatada em Estivas, em Extremoz Divulgação/MPRN O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou uma ex-secretária de Meio Ambiente de Extremoz (RN), um empresário e uma empresa pelo desmatamento irregular de uma área de Mata Atlântica em trecho equivalente a cerca de 30 campos de futebol (21,58 hectares) para a construção de um empreendimento. Segundo o MP, as intervenções ambi

Por Redação Publicado em 8 de outubro de 2026 às 10:39 4 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

MP denuncia ex-secretária e empresário por desmatamento de Mata Atlântica para obra de empreendimento na Grande Natal
Publicado originalmente por [fonte]

Área desmatada em Estivas, em Extremoz

Divulgação/MPRN

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) denunciou uma ex-secretária de Meio Ambiente de Extremoz (RN), um empresário e uma empresa pelo desmatamento irregular de uma área de Mata Atlântica em trecho equivalente a cerca de 30 campos de futebol (21,58 hectares) para a construção de um empreendimento.

Segundo o MP, as intervenções ambientais na localidade ocorreram sem a autorização prévia do órgão estadual competente, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), órgão responsável pelo licenciamento do projeto em razão do porte e localização. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp

De acordo o MP, para permitir o desmatamento, foram emitidas licenças municipais em desacordo com a legislação ambiental de uma área ocupada pelo bioma Mata Atlântica no distrito de Estivas.

Os documentos também tratavam da intervenção em Área de Preservação Permanente (APP) de dunas. O empreendimento prevê a construção de um complexo residencial e comercial.

Agora no g1

Em nota, a Prefeitura de Extremoz informou que o licenciamento do empreendimento seguiu a legislação ambiental e que o município tem autorização do Ibama para liberar a retirada de vegetação. O Município afirmou que a necessidade de anuência do Idema é uma divergência jurídica que deve ser decidida pela Justiça e ressaltou que ainda não há uma perícia que confirme se a área é de dunas.

A prefeitura declarou que o caso começou com fiscalizações do próprio município e que vai colaborar com a Justiça e o Ministério Público.

Para investigação do caso, o MP informou que precisou recorrer à Justiça para obter acesso aos documentos administrativos da secretaria municipal.

Acusação

O MP pediu à Justiça que a ex-secretária e o empresário sejam acusados dos crimes ambientais previstos nos artigos 38-A e 50 da Lei nº 9.605/1998. Os artigos dizem:

38-A: Criminaliza a conduta de destruir ou danificar vegetação primária ou secundária, em estágio avançado ou médio de regeneração, do Bioma Mata Atlântica, ou utilizá-la em desrespeito às normas de proteção. | Pena: Detenção de 1 (um) a 3 (três) anos, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

50: Criminaliza a conduta de destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas, ou ainda vegetação fixadora de dunas e protetora de mangues, quando estas forem objeto de especial preservação. | Pena: Pena: Detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa

O órgão estadual também fixou valor mínimo de R$ 100 mil para reparação dos danos ambientais e morais coletivos, a ser destinado ao Fundo Estadual de Prevenção do Meio Ambiente. Investigação

O processo teve início após fiscalizações da própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo de Extremoz (Semur) apontarem irregularidades no local.

De acordo com o Ministério Público, laudos técnicos confirmaram a destruição da vegetação protegida e alterações na estrutura das dunas.

As áreas de preservação permanente, conhecidas como APPs, são espaços protegidos por lei e têm um papel importante na preservação dos ecossistemas.

"São todas as áreas sensíveis ambientalmente e, por isso, a legislação exige que essas áreas sejam preservadas e que as interferências ou as intervenções não ocorram e, se houver a ocorrer, é só nessa ressalva de áreas de interesse público ou social ou que tenha contexto de baixo impacto", explicou o diretor geral do Idema, Werner Farkat.

Na mesma manifestação, o Ministério Público promoveu o arquivamento em relação a uma das sócias minoritárias da empresa por ausência de poder de decisão no empreendimento.

Vídeos mais assistidos do g1 RN

Leia mais