Operação mira PMs suspeitos de passar informações para o CV e negociar armas; um dos alvos foi executado há 3 meses
Vídeo mostra PM executado com 23 tiros ao chegar em casa no RJ; investigaçao levou na operação desta terça A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza, nesta terça-feira (13), uma operação contra um esquema de tráfico de drogas e armas que, segundo as investigações, contava com a participação de policiais militares a serviço do Comando Vermelho (CV). Os agentes são suspeitos de repassar informações
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Vídeo mostra PM executado com 23 tiros ao chegar em casa no RJ; investigaçao levou na operação desta terça
A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza, nesta terça-feira (13), uma operação contra um esquema de tráfico de drogas e armas que, segundo as investigações, contava com a participação de policiais militares a serviço do Comando Vermelho (CV).
Os agentes são suspeitos de repassar informações privilegiadas sobre operações policiais e participar de negociações clandestinas de armas e munições destinadas à facção criminosa.
A ação é coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e conta com a participação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e da Corregedoria da Polícia Militar.
Os agentes saíram para cumprir mandados de prisão expedidos pela 16ª Vara Criminal da Capital. O número de mandados não foi informado.
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Esquema descoberto após apreensão de cocaína
A investigação começou em outubro de 2023, quando policiais civis prenderam em flagrante o então PM da ativa Yuri Luiz Desiderati Ribeiro e Marcos Leandro de Oliveira Serra, conhecido como Kiko, transportando mais de 100 quilos de cocaína na Avenida Brasil.
A partir dessa apreensão, os investigadores descobriram indícios de que a dupla integrava uma organização responsável pela compra, transporte e distribuição de grandes quantidades de drogas e armamentos para o Comando Vermelho.
Segundo a DRE, o grupo tinha uma divisão de tarefas e atuava de maneira coordenada para garantir o abastecimento de comunidades dominadas pela facção.
As investigações apontaram Kiko como um dos responsáveis pela logística do tráfico. Ele mantinha contato direto com lideranças do CV para organizar o transporte e a entrega de entorpecentes.
Por meio de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e da análise de dados telemáticos, os investigadores identificaram conversas entre Kiko e Manoel Cinquine Pereira, conhecido como Paulista, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho no Complexo da Penha.
De acordo com a polícia, Paulista participava da articulação para a compra e distribuição de drogas e armas, além de coordenar integrantes responsáveis pelo abastecimento da organização criminosa.
PMs suspeitos de colaborar com traficantes
Uma das frentes da investigação revelou a suspeita de participação de policiais militares no esquema. Segundo a Polícia Civil, agentes teriam usado informações obtidas em razão de suas funções para beneficiar integrantes do Comando Vermelho.
Entre os denunciados está o PM Eric da Silva Lobato, apontado como participante de um esquema de comércio ilegal de armas de fogo, munições e acessórios.
Outro investigado é Luciano Santos de Oliveira, conhecido como Hot Wheels, identificado como uma liderança do tráfico em diversas comunidades de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Segundo a investigação, Hot Wheels recebia informações privilegiadas sobre operações policiais repassadas pelo PM Yuri Desiderati. Os investigadores afirmam que o militar utilizava sua posição na corporação para favorecer as atividades criminosas.
A polícia também identificou outros três denunciados que atuariam no braço armado do Comando Vermelho:
Paulo Victor Soares de Melo
Leonardo Aguiar da Silva, o "Da Nike" (preso)
Kauan Soares Omero, conhecido como Do Serrão
Segundo a DRE, os três eram responsáveis pela segurança de lideranças do tráfico e pela vigilância de territórios controlados pela facção, utilizando armas de fogo para ajudar a manter o domínio criminoso nessas regiões.
PM que deu origem à investigação foi assassinado
Yuri foi executado em 12 de julho deste ano, no Pechincha, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, atingido por diversos tiros quando chegava ao condomínio onde morava. O assassinato é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e uma das suspeitas é de que o CV tenha executado o PM.
O policial havia sido preso em flagrante em 2023, com mais de 100 quilos de cocaína, no episódio que deu início às investigações.
Mesmo após a morte do militar, a DRE continuou as apurações e identificou outros suspeitos de integrar a rede de distribuição de drogas e armas.
A Polícia Civil afirma que a operação busca atingir não apenas os responsáveis pelo transporte e pela comercialização dos materiais ilícitos, mas também a estrutura de apoio que permite o abastecimento do Comando Vermelho, incluindo a participação de agentes públicos.