Pontal do Paranapanema contrasta com o restante de SP e reúne municípios onde Lula é o mais votado no 1º turno
Flávio Bolsonaro e Lula Sergio Lima/AFP e Amanda Perobelli/Reuters O resultado das eleições gerais de 2026 mostrou um contraste no mapa paulista quanto aos candidatos à Presidência da República. Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado na maior parte do interior de São Paulo, sete municípios do Pontal do Paranapanema tiveram Lula (PT) à frente no primeiro turno, realizado neste d
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Flávio Bolsonaro e Lula
Sergio Lima/AFP e Amanda Perobelli/Reuters
O resultado das eleições gerais de 2026 mostrou um contraste no mapa paulista quanto aos candidatos à Presidência da República. Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) foi o candidato mais votado na maior parte do interior de São Paulo, sete municípios do Pontal do Paranapanema tiveram Lula (PT) à frente no primeiro turno, realizado neste domingo (4).
Para entender o que pode explicar esse resultado, o g1 ouviu dois pesquisadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp (FCT-Unesp) de Presidente Prudente. Nas análises, eles destacam características históricas, econômicas, políticas e geográficas da região, além da presença de assentamentos de reforma agrária e do impacto dessas famílias na economia dos municípios.
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A faixa reúne cidades da região de Presidente Prudente que são próximas às divisas com o Paraná e Mato Grosso do Sul. São elas: Rosana, Euclides da Cunha Paulista, Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema, Caiuá, Sandovalina e Marabá Paulista. Eleições 2026: votação para presidente por município no estado de SP
Arte G1
Os maiores percentuais de Lula apareceram em Sandovalina, com 59,36%, e em Euclides da Cunha Paulista, com 59,09%. Em Teodoro Sampaio, o resultado foi de 48,52% para Lula e 47,25% para Flávio. Em Rosana, Lula teve 49,89% dos votos válidos, contra 45,18% de Flávio.
Em Caiuá, Lula teve 47,79% dos votos válidos, contra 47,11% de Flávio. Em Marabá Paulista, foram 49,40% a 46,03%. Já em Mirante do Paranapanema, o petista alcançou 50,86%, ante 44,50% do candidato do PL.
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Coerência geográfica
O resultado das eleições no Pontal do Paranapanema foi coerente com a composição histórica, econômica, política e geográfica da região, conforme analisa o professor doutor Carlos Alberto Feliciano, coordenador do Programa de Pós-graduação em Geografia da FCT-Unesp de Presidente Prudente.
Segundo o professor, o Pontal é uma das regiões do Brasil com maior concentração de assentamentos rurais, com 117 projetos e mais de 6 mil famílias assentadas. Para ele, essas famílias contribuem diretamente para o desenvolvimento econômico dos municípios, por meio da produção, das feiras e também do consumo no comércio e nos serviços das pequenas cidades.
“Por isso é coerente porque tanto as famílias assentadas como aquelas desses municípios são frutos e desdobramentos de uma política de Reforma Agrária, uma das pautas centrais dos partidos envolvidos com as questões sociais no Brasil”, explica ao g1.
Feliciano também cita políticas públicas voltadas às famílias assentadas, como o crédito para a agricultura familiar (Pronaf) e programas para mulheres e jovens do campo, além de investimentos em saúde, moradia e educação. Segundo ele, essas ações contribuíram para a permanência das famílias nos assentamentos e, consequentemente, para a movimentação econômica dos municípios.
Na avaliação do professor, embora a região tenha registrado avanço na produção de cana-de-açúcar, esse modelo não gera o mesmo impacto econômico nas pequenas cidades. Ele explica que a mecanização e a automatização das usinas reduzem a geração de empregos, enquanto grande parte dos recursos está ligada à produção de commodities para exportação.
Outro fator apontado por Feliciano é a própria história de luta pela terra na região. Segundo ele, o processo de conquista dos territórios e a atuação de movimentos socioterritoriais, como o MST, contribuíram para a formação de uma consciência sobre a permanência nos assentamentos e sobre as políticas voltadas a essas famílias.
“Por isso diria que as famílias dessa região mostraram coerência nessa eleição, ao compreender a diferença entre o discurso e a prática política”, conclui.
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A hipótese mais provável para o desempenho de Lula no extremo oeste paulista está relacionada à característica específica do Pontal do Paranapanema, cujos municípios foram fortemente impactados pela política de assentamentos de reforma agrária realizada desde a década de 1980, conforme analisa Luís Antônio Barone, sociólogo livre-docente da FCT-Unesp de Prudente.
Um dos maiores projetos de assentamento do estado de São Paulo é a Gleba XV de Novembro, entre Euclides da Cunha Paulista e Rosana.
Segundo Barone, os assentamentos tiveram impacto socioeconômico e foram importantes para a ativação da economia local dos pequenos municípios da região. Ele cita Mirante do Paranapanema, que concentra o maior número de projetos de assentamento de reforma agrária do estado, além de Euclides da Cunha Paulista, Rosana, Teodoro Sampaio e Sandovalina.
“Parece que a população reconhece esse efeito positivo da política de assentamento”, explica ao g1.
Para o professor, pesquisas realizadas nesses municípios mostram um dinamismo econômico maior em comparação com territórios de pecuária extensiva ou áreas tomadas por canaviais sem uma unidade industrial de processamento.
“E a agricultura familiar da reforma agrária, por mais percalços que ela tenha sofrido em termos de apoio, apoio técnico, financiamento e ligação aos mercados regionais mais prósperos, ela dinamiza a economia local”, afirma.
Na avaliação de Barone, esse reconhecimento pode ajudar a explicar a votação de Lula na região, já que o presidente “sempre defendeu a reforma agrária”.
“E aparentemente esse é o principal motivo para que o Lula [...] tenha votos nesses municípios do Pontal do Paranapanema”, conclui.
Em 25 de outubro, eleitores vão às urnas para o segundo turno das Eleições 2026
Divulgação/TSE
Segundo turno
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais no dia 25 de outubro.
A confirmação de que haverá segundo turno foi anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (4), às 20h56, quando 96,78% das urnas já tinham sido apuradas. Àquela altura, Flávio Bolsonaro tinha 47,39% dos votos, e Lula, tinha 44,74%.
Daqui a três semanas, os eleitores voltam às urnas para definir se Flávio Bolsonaro governará o país pelos próximos quatro anos ou se Lula terá um quarto mandato presidencial.
Se Flávio for eleito, tomará posse, aos 45 anos, no dia 5 de janeiro de 2027, na cadeira ocupada por seu pai, Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022.
Se vencer, Lula assumirá o quarto mandato aos 81 anos e será o primeiro brasileiro a presidir o país quatro vezes.
Flávio e Lula deixaram para trás Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Edmilson Dias (PCB), Hertz Dias (PSTU), Samara Martins (UP), Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC) e Rui Costa Pimenta (PCO).
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