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Região de Campinas tem 61,3% das cidades sem Delegacia de Defesa da Mulher; veja lista

Das 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas, 19 não possuem Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o equivalente a 61,3% dos municípios da região. Entre elas estão Paulínia, Jaguariúna, Monte Mor, Amparo e Louveira. Os dados são do Governo do Estado de São Paulo. As unidades são especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência e na investigação de crimes relacionados à violência

Por Redação Publicado em 12 de outubro de 2026 às 12:52 4 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Região de Campinas tem 61,3% das cidades sem Delegacia de Defesa da Mulher; veja lista
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Das 31 cidades da área de cobertura do g1 Campinas, 19 não possuem Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o equivalente a 61,3% dos municípios da região. Entre elas estão Paulínia, Jaguariúna, Monte Mor, Amparo e Louveira. Os dados são do Governo do Estado de São Paulo.

As unidades são especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência e na investigação de crimes relacionados à violência de gênero.

No domingo (11), Jeane Cristina Mattes, de 43 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro durante a comemoração do aniversário de 15 anos do filho do casal, em Americana (SP). Ela tinha uma medida protetiva contra o suspeito, que já havia sido preso anteriormente por violência doméstica.

Jeane chegou a ser socorrida, mas morreu no Hospital Municipal de Americana. O suspeito, Jonatã de Jesus Batista, de 40 anos, foi preso em flagrante. Foi o primeiro feminicídio registrado na cidade em 2026.

Veja quais cidades da região não têm DDM

Delegacia de Defesa da Mulher (DDM)

Reprodução/EPTV

Águas de Lindóia

Amparo

Artur Nogueira

Estiva Gerbi

Holambra

Jaguariúna

Lindóia

Louveira

Monte Alegre do Sul

Monte Mor

Morungaba

Paulínia

Pedra Bela

Pedreira

Pinhalzinho

Santo Antônio de Posse

Santo Antônio do Jardim

Socorro

Tuiuti

Vale destacar, no entanto, que a ausência de uma delegacia especializada não impede o registro de ocorrências de violência contra a mulher. Nesses municípios, as vítimas também podem procurar delegacias comuns.

Dificuldades para denunciar

Moradora de Nova Odessa (SP), vítima de violência doméstica relatou dificuldads para fazer denúncia em DDM

Reprodução/EPTV

A falta de delegacias especializadas pode criar obstáculos para mulheres que tentam denunciar situações de violência doméstica. Foi o que aconteceu com uma moradora de Nova Odessa (SP), que precisou procurar atendimento em outra cidade após ser agredida pelo marido.

No dia seguinte à agressão, ela decidiu registrar um boletim de ocorrência, mas descobriu que não havia Delegacia da Mulher na cidade. Por isso, procurou atendimento em Sumaré (SP) e precisou se deslocar novamente, desta vez até Americana (SP), para realizar o exame de corpo de delito.

"Eu ainda tive um meio de transporte, porque eu tenho carro, para chegar lá. E a mulher que não tem?", questionou a vítima, que preferiu não ser identificada.

Ela conseguiu registrar a ocorrência e obter uma medida protetiva, mas avalia que a necessidade de viajar para outros municípios pode desestimular mulheres que já enfrentam dificuldades para denunciar.

"Se tivesse uma DDM aqui, como Nova Odessa já é um município pequeno, de repente a pessoa consegue ir à pé, ou consegue um Uber que fica mais em conta para ir aqui pertinho. Mas, para se deslocar até Sumaré ou Americana, eu acho que dificulta um pouco mais", afirmou.

Atendimento especializado

Delegada Pietra Duarte de Mendonça, da DDM de Americana

Reprodução/EPTV

A delegada Pietra Duarte de Mendonça, da DDM de Americana, explica que, nas cidades sem unidades especializadas, as vítimas podem registrar as ocorrências nas delegacias comuns. Os casos são posteriormente encaminhados às DDMs responsáveis pela investigação.

"Sendo assim, a mulher registra a ocorrência nessa própria delegacia do município, sem o atendimento tão especializado e tão humanizado quanto o da DDM. Essa ocorrência vem para nós, onde nós realizamos as diligências da investigação", explicou.

Segundo a delegada, a distância até uma unidade especializada pode dificultar a decisão de denunciar, especialmente para mulheres que já estão em situação de vulnerabilidade.

"Quanto mais difícil fica esse acesso, mais a mulher fica com medo, com receio de fazer a denúncia. Seria legal que toda a cidade tivesse esse acolhimento", afirmou.

Como alternativa para melhorar o atendimento nos municípios sem DDM, Pietra defende que as delegacias comuns tenham funcionárias mulheres preparadas para acolher as vítimas.

Quase 80% das cidades paulistas não têm DDM

No estado de São Paulo, 514 dos 645 municípios (79,7%) não possuem delegacia especializada, segundo o governo estadual.

Na área de cobertura da EPTV, que inclui 49 municípios das regiões de Campinas e Piracicaba, a proporção é de 67,3%, com 33 cidades sem DDM.

Outro desafio é o horário de funcionamento. Em toda a área de cobertura da EPTV, apenas as delegacias da mulher de Campinas e Piracicaba funcionam 24 horas por dia.

Nas demais cidades que possuem o serviço, as vítimas precisam considerar os horários de atendimento das unidades ou recorrer a outras delegacias fora do expediente.

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