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Sem chuva há seis meses, produtores reduzem rebanhos e dependem de caminhões-pipa em Coração de Jesus

Falta de chuva afeta criação de gado e abastecimento de água no Norte de Minas Céu limpo, calor próximo dos 40 graus e nenhuma previsão de chuva. Em Coração de Jesus, as últimas precipitações significativas foram registradas em março. Desde então, a seca vem transformando a paisagem e impactando diretamente a vida de produtores rurais e moradores de comunidades do município. Um dos retratos da est

Por Redação Publicado em 12 de outubro de 2026 às 16:55 4 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Sem chuva há seis meses, produtores reduzem rebanhos e dependem de caminhões-pipa em Coração de Jesus
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Falta de chuva afeta criação de gado e abastecimento de água no Norte de Minas

Céu limpo, calor próximo dos 40 graus e nenhuma previsão de chuva. Em Coração de Jesus, as últimas precipitações significativas foram registradas em março. Desde então, a seca vem transformando a paisagem e impactando diretamente a vida de produtores rurais e moradores de comunidades do município.

Um dos retratos da estiagem é o leito do rio Mocambo. O curso d'água, que já abasteceu propriedades e permitiu o cultivo de hortas às suas margens, está completamente seco.

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Animais sofrem com a falta de pastagem

Inter TV/Reprodução

"Uns 30 ano aqui atrás, eu lembro do córrego do Mocambo correndo água. As famílias plantavam hortaliças na beira do rio Mocambo", relembrou o vice-presidente da Associação dos Produtores de Mocambo, Ismael Pereira Santos.

Atualmente, os poços artesianos garantem o abastecimento de moradores e também a água destinada aos animais. Os efeitos da estiagem também afetaram as pastagens. Na propriedade de Roberto Lima da Silva, é possível ouvir o barulho que o gado faz à procura de comida.

"É sinal que tá com fome mesmo. Eles vem procurando a comida. Aí o coração chega a doer, que tem dia que não tem um alimento para eles. A gente tá fazendo das tripas coração. Procura canavial nos vizinhos para comprar e ração. Que o pouco a gente tinha aqui já acabou."

Sem as pastagens, ele se viu obrigado a comprar comida para evitar a morte dos animais.

Local onde o rio Mocambo passava

Inter TV/Reprodução

"Vamos rezando, pedindo a Deus, né, para chuva chegar logo, porque tá crítico, tá difícil. Se não chegar, não sei nem o que que fazer, porque tá complicado."

A preocupação é compartilhada por agricultores familiares e entidades ligadas ao setor agropecuário, como explicou o extensionista da Emater, Sérgio Veloso da Fonseca.

"A realidade hoje dos produtores, principalmente da agricultura familiar do município de Coração de Jesus, é a grande preocupação com a falta de chuva. Até então não tem previsão de chuva para nossa região. Já estamos enfrentando um período crítico de seca, de falta de alimentação para o gado, de falta de reserva estratégica."

Em algumas propriedades, as nascentes praticamente secaram e o abastecimento por caminhões-pipa passou a ser indispensável.

"A gente tem um minador aqui que praticamente secou e estamos dependendo de água de abastecimento do caminhão pipa para dar água para o gado e não tem condições de ficar pedindo pipa toda semana, porque o gado bebe bastante água", disse Gideon Fonseca Amaral.

Falta de chuvas muda paisagem no Norte de MG e adeta vida de produtores rurais

Inter TV/Reprodução

No fim de julho, a Prefeitura decretou estado de calamidade pública por causa da seca. Atualmente, cerca de 20 comunidades rurais dependem do abastecimento por caminhões-pipa, como explicou o secretário de Agricultura, Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural, Noé Pereira Soares.

"A gente tem feito um levantamento de todos os produtores que tão necessitando de carro-pipa. A Prefeitura atende todos na medida do possível."

A redução do rebanho tem sido uma alternativa para diminuir prejuízos. Gideon Fonseca Amaral contou que perdeu oito animais no ano passado por falta de água e alimento. Neste ano, vendeu mais da metade dos animais.

"O pasto tá todo seco, não tem o que comer, tem que complementar com ração, que é muito caro o custo. E praticamente não tem água. A gente tinha em média 45 cabeças de gado, entre gado e cavalos, hoje tem menos de 20."

Segundo o extensionista da Emater, Sérgio Veloso da Fonseca, a comercialização dos animais também se tornou mais difícil por causa da perda de peso do rebanho.

"Quem já vendeu o gado há uns meses atrás tá sofrendo menos. Mas, como vocês podem perceber, o gado já tá magro. Nesse período dificilmente vai se vender gado. O agricultor vai ter que buscar alternativas, buscar bancos, fazer financiamentos, adquirir produtos para tentar amenizar o sofrimento desse gado e diminuir as perdas."

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