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Trump volta a defender sua própria candidatura ao Nobel da Paz

Trump diz ter recebido medalha do Nobel da Paz como 'presente' de María Corina Machado, em 2025. Reprodução/X O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta quarta-feira (6) sua candidatura para o Prêmio Nobel da Paz. A premiação deste ano ocorrerá na sexta-feira (8). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp No ano passado, o norte-americano fez uma inten

Por Redação Publicado em 7 de outubro de 2026 às 14:42 6 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

Trump volta a defender sua própria candidatura ao Nobel da Paz: 'Impedi a destruição total do mundo'
Publicado originalmente por [fonte]

Trump diz ter recebido medalha do Nobel da Paz como 'presente' de María Corina Machado, em 2025. Reprodução/X

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender nesta quarta-feira (6) sua candidatura para o Prêmio Nobel da Paz. A premiação deste ano ocorrerá na sexta-feira (8). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp

No ano passado, o norte-americano fez uma intensa campanha para que recebesse o Nobel da Paz, alegando ter conseguido dar fim a uma série de guerras. A oposicionista venezuelana María Corina Machado levou o prêmio. Embora esteja em guerra ativa contra o Irã, Trump repetiu nesta quarta o argumento de que merece o prêmio por ter, segundo ele, terminado guerras. "Resolvi oito guerras — e há outra a caminho. Trouxe todos os reféns (de Israel sequestrados pelo Hamas) de volta. Fiz coisas que ninguém mais jamais fez. Não estou me gabando, estou apenas relatando os fatos", disse o norte-americano a jornalistas na Casa Branca. Trump não citou os conflitos que disse ter terminado. "Provavelmente nenhum presidente evitou guerras como eu. Resolvi oito guerras — e guerras grandes, muito grandes — e salvei milhões e milhões de vidas". Trump não deve receber o Nobel da Paz deste ano já que mantém seu país em guerra contra o Irã. Mas a influência dele ainda deve pesar sobre o comitê responsável por escolher o vencedor, segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

A edição de 2025 do prêmio, concedida à opositora venezuelana María Corina Machado, foi considerada um caso único nos 125 anos de história da premiação. Semanas depois, Machado entregou sua medalha de ouro a Trump, numa tentativa de obter apoio do presidente americano para seus esforços de mudar o regime na Venezuela.

Neste ano, o comitê formado por cinco integrantes deverá levar em conta a possibilidade de que o vencedor seja alvo das pressões de Trump, segundo Haakon Gjerloew, diretor interino do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo.

Segundo ele, os integrantes também devem avaliar se a escolha poderia produzir mais efeitos negativos do que positivos.

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"Os acontecimentos do ano passado em torno do Nobel da Paz, com María Corina Machado entregando o prêmio posteriormente a Trump, vão afetar algumas das considerações que eles farão", disse.

Entre os possíveis vencedores estão o papa Leão XIV, o Tribunal Penal Internacional (TPI), a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, segundo especialistas.

O vencedor será anunciado na próxima sexta-feira (9).

Trump diz ter recebido medalha do Nobel da Paz como 'presente' de María Corina Machado

Reprodução: X

Papa Leão XIV

Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV afirmou que continuará se manifestando contra guerras. Trump o chamou de "fraco" após críticas do pontífice ao conflito entre os EUA e o Irã.

Especialistas apontam que a encíclica do papa sobre inteligência artificial, sua defesa do diálogo e da solução pacífica de conflitos, além de sua atuação em defesa de migrantes e em ações humanitárias, poderiam justificar a premiação.

"O papa representa mais do que apenas uma figura religiosa. Ele surgiu como um dos principais pensadores", afirmou Karim Haggag, diretor do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo, à Reuters.

Francesca Albanese

A italiana Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, também é apontada como possível vencedora.

Ela vem sendo criticada pelos governos dos EUA e de Israel por suas declarações contra a atuação israelense na guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza e contra a ocupação da Cisjordânia.

Comitê pode optar por escolha menos controversa

Os acontecimentos do ano passado também podem levar o comitê a seguir por outro caminho, segundo especialistas. Uma possibilidade seria escolher uma organização ou pessoa menos controversa e menos propensa a entrar em conflito com Trump.

O presidente americano já criticou a Noruega, país onde o Nobel da Paz é decidido, por não ter recebido o prêmio na edição anterior.

Entre as possibilidades estão as Salas de Resposta de Emergência do Sudão, uma rede de grupos comunitários que presta assistência à população durante a guerra civil no país, e a organização não governamental Save the Children, pelo trabalho de ajuda a crianças afetadas por conflitos.

Mas o comitê também sofre pressão para responder aos ataques de Trump contra a ordem internacional, segundo Oeivind Stenersen, historiador que escreveu sobre o Nobel da Paz.

"Eles têm uma certa pressão para serem firmes contra Trump", disse Stenersen à Reuters.

"Neste cenário internacional grave, este ano exige um Nobel da Paz em defesa da democracia liberal, do direito internacional e dos direitos humanos", afirmou.

Tribunal Penal Internacional pode ser premiado

Uma das possibilidades seria conceder o Nobel ao Tribunal Penal Internacional, em um momento em que Washington se prepara para ampliar as sanções contra a corte, segundo fontes ouvidas pela Reuters.

Outra opção seria a Corte Internacional de Justiça. A premiação reforçaria princípios como o respeito à soberania dos Estados e a resolução pacífica de disputas entre países.

Trump teria sido indicado ao Nobel pelos líderes do Camboja, de Israel e do Paquistão. Para Gjerloew, no entanto, as chances de o presidente americano vencer são "bastante baixas".

A pressão exercida por Trump sobre o comitê norueguês surpreendeu até vencedores anteriores do Nobel. Maria Ressa, jornalista filipino-americana e vencedora do prêmio da Paz, afirmou que acompanhou os acontecimentos do ano passado "com horror".

"Os valentões não governam o mundo. Existem padrões pelos quais vivemos. O poder não torna algo certo", disse Ressa à Reuters durante uma visita a Oslo em setembro.

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