'Viver cada dia', diz mãe que se acorrentou por cirurgia do filho que foi descartada pelos médicos
Mãe se acorrenta em frente ao MP para conseguir transferir filho de hospital n A mãe de Kauan, de 5 anos, Laise Sousa Carvalho, retornou ao Tocantins nesta segunda-feira (5), depois de viajar para São Paulo na tentativa de conseguir que o filho fosse submetido a um procedimento cardíaco. No entanto, após ser avaliado por médicos em São José do Rio Preto (SP), o garoto não passou pela cirurgia, que
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Mãe se acorrenta em frente ao MP para conseguir transferir filho de hospital
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A mãe de Kauan, de 5 anos, Laise Sousa Carvalho, retornou ao Tocantins nesta segunda-feira (5), depois de viajar para São Paulo na tentativa de conseguir que o filho fosse submetido a um procedimento cardíaco. No entanto, após ser avaliado por médicos em São José do Rio Preto (SP), o garoto não passou pela cirurgia, que foi descartada devido ao alto risco de morte.
De volta ao estado, Laise contou ao g1 que pretende aproveitar cada dia ao lado do filho e que a tristeza e o receio em relação ao futuro da criança têm abalado a família.
Laise Sousa chegou a se acorrentar no Hospital Geral de Palmas (HGP) para conseguir a transferência do filho e tentar viabilizar a realização da cirurgia. Porém, após ser atendido em São José do Rio Preto (SP), o procedimento foi descartado pelos médicos devido ao alto risco de morte. A família desembarcou em Paraíso do Tocantins, a cerca de 60 km de Palmas, na noite de segunda-feira (5).
"Graças a Deus estamos aqui em Paraíso já, estamos em casa. Chegamos ontem [05] de São Paulo. [...] Sobre a expectativa, né, que eu tenho agora para o Kauan assim, é que na verdade, eu não tenho muita, sabe? Tô bem triste, bem triste mesmo, bem chateada. A expectativa que eu tenho é de viver cada dia intensamente e sem realmente saber o dia de amanhã, infelizmente", contou a mãe.
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Kauan nasceu com uma malformação congênita no coração e possui apenas um ventrículo funcional. Por causa da condição, necessita de cuidados especiais desde muito cedo, incluindo alimentação por sonda. Ele também não anda, não fala e apresenta dificuldades respiratórias.
Na última sexta-feira (2), após o menino passar por exames, como cateterismo e tomografias, na unidade paulista, a equipe médica concluiu que a cirurgia não deveria ser realizada. Segundo os profissionais, o procedimento representava um alto risco de morte diante da fragilidade clínica, pulmonar e neurológica da criança.
A recomendação dos médicos foi que a família retornasse ao Tocantins para priorizar os cuidados paliativos e o conforto de Kauan. Laise contou que ficou com um sentimento de desamparo após receber a notícia dos especialistas. "Muita coisa poderia ter acontecido diferente, poderia ter sido diferente para ele, ele poderia ter tido uma vida melhor. Então nem sei o que falar de como vai ser de agora para frente", desabafou.
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Em nota divulgada logo após a decisão, o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto informou que prestou todos os esclarecimentos à família e que, por causa da legislação, está impossibilitado de compartilhar detalhes sobre o quadro clínico do paciente.
Na ocasião, a mãe lamentou a decisão dos médicos. “A sensação que dá é que lutei tanto para morrer na praia. Mas Deus sabe que eu tentei o melhor. O risco dele, se mexer nele e ele morrer, é muito alto. Então, não dá para fazer nada por ele”, disse Laise.
Menino Kauan está internado em São Paulo aguardando cirurgia de Fontan
Reprodução/Laise Sousa Carvalho/Arquivo pessoal
Relembre o caso
A família é de Paraíso do Tocantins, que fica a cerca de 60 km de Palmas. O caso se arrasta desde 2024, quando Laise pediu o tratamento fora de domicílio. Em julho de 2025, a Justiça determinou que o Estado transferisse a criança para o Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto, por meio de UTI aérea, com direito a um acompanhante e ao custeio da estadia.
Um ano depois, a Justiça expediu uma nova decisão, bloqueando o valor necessário para a realização da cirurgia.
Laise se acorrentou ao portão do HGP na manhã do dia 9 de setembro. No mesmo dia, ela deixou o local e se acorrentou em frente ao Ministério Público, pedindo a transferência do filho.
Na época, a Secretaria Estadual de Saúde informou que o paciente havia sido acompanhado no Hospital Municipal de Araguaína e que, após as avaliações médicas, foi apontado que a cirurgia de Fontan seria contraindicada no caso dele, devido às condições clínicas da criança, que apresentava comprometimento dos acessos vasculares e fragilidade clínica.
No dia 12 de setembro de 2026, o Estado informou que a transferência do paciente estava liberada e aguardava o aceite da unidade de destino, em São Paulo. Kauan foi transferido para São Paulo 14 dias depois.
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