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Festival do Rio chega ao último fim de semana

O Festival do Rio chega ao último fim de semana com a expectativa de superar o público de 140 mil pessoas que participaram da edição passada. O evento trouxe mais de 350 filmes na programação. Realizada entre 1º e 11 de outubro, a 28ª edição reúne produções brasileiras e internacionais, pré-estreias, sessões especiais, debates e encontros com profissionais do setor audiovisual, em 28 salas e espaç

Por Redação Publicado em 10 de outubro de 2026 às 10:05 6 min de leitura

Conteúdo de Agência Brasil – Notícias — ler no site de origem

Festival do Rio chega ao último fim de semana
Fonte: Agência Brasil

O Festival do Rio chega ao último fim de semana com a expectativa de superar o público de 140 mil pessoas que participaram da edição passada. O evento trouxe mais de 350 filmes na programação.

Realizada entre 1º e 11 de outubro, a 28ª edição reúne produções brasileiras e internacionais, pré-estreias, sessões especiais, debates e encontros com profissionais do setor audiovisual, em 28 salas e espaços culturais do Rio de Janeiro e de Niterói.

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Um dos principais encontros do calendário cinematográfico brasileiro, o Festival do Rio funciona como vitrine para novos realizadores, espaço de circulação de filmes independentes e oportunidade de aproximação entre cineastas e público.

A programação também leva exibições a diferentes regiões da cidade, com atividades gratuitas e sessões voltadas à formação de novas plateias.

Cinema nacional

Entre os títulos brasileiros exibidos nesta edição está Justino: Nos Bastidores do Reino, de José Eduardo Belmonte, apresentado na Première Brasil Hors-Concours, seleção de filmes exibidos fora da competição. A produção conquistou dois Kikitos e uma menção honrosa no Festival de Cinema de Gramado.

Produzido por Nilson Rodrigues, o longa acompanha a trajetória de Justino, jovem da periferia que encontra na religião a possibilidade de transformar a própria realidade. Ao longo dos anos, ele participa da expansão internacional de uma poderosa instituição religiosa, constrói uma carreira como pastor e acaba afastado da igreja após uma revelação. Após 15 anos, o protagonista decide revisitar o passado.

Filmado no Brasil e em Portugal, o filme atravessa diferentes períodos entre as décadas de 1960 e 1990 e aborda fé, poder, intolerância, preconceito e as relações construídas em torno das instituições religiosas. O elenco reúne Christian Malheiros, Caio Blat, Larissa Nunes, Onna Silva, Lucas Leto, Bruno Garcia, Angel Ferreira e Antônio Pitanga.

Para Nilson Rodrigues, a obra contribui para compreender transformações culturais e religiosas do país.

"É um filme necessário, fundamental para entender o processo cultural do país nas últimas décadas e o crescimento do universo neopentecostal. Uma história real, vista por Mário Justino, que viveu e viu por dentro como se formou um dos maiores impérios do neopentecostalismo no Brasil", afirma o produtor.

Formação de plateia

Rodrigues também destaca a importância do festival para a circulação das produções nacionais. No ano passado, ele participou do evento com Honestino, experiência que, segundo ele, ajudou a ampliar a divulgação do filme e a impulsionar seu lançamento nas salas de cinema:

"Esse festival é fundamental para o cinema brasileiro. No ano passado, participamos com o filme Honestino, o que foi muito importante para ampliar sua divulgação e impulsionar o lançamento nas salas de cinema", diz.

A formação de plateias, especialmente entre os jovens, é outro desafio apontado pela direção do festival. Durante uma sessão de gala nesta semana, a diretora do Festival do Rio, Ilda Santiago, chamou a atenção para a dificuldade de aproximar o público brasileiro de histórias que dialogam com as experiências e angústias da juventude.

"A gente tem poucos filmes que conversam sobre a vida dos nossos jovens e todas as angústias que isso significa. Conquistar o público brasileiro para estes filmes não é fácil. Demanda dedicação, risco e fé", avalia.

Um dos títulos que integram essa proposta é As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, dirigido por Diego Freitas e protagonizado por Any Gabrielly e Giulia Be. Baseado no livro de Fernanda Castro e Silva, o longa aborda amizade, luto e recomeço.

Na trama, Gabi, personagem de Any Gabrielly, é uma jovem tímida que prefere a segurança da rotina. Após a morte da melhor amiga, Julia, interpretada por Giulia Be, ela recebe dez cartas com desafios deixados pela amiga. Cada mensagem a incentiva a enfrentar os próprios medos, experimentar novas experiências e aprender a lidar com a perda.

A presença de produções voltadas a diferentes faixas etárias reforça a preocupação do festival em ampliar o contato com o cinema para além do público já habituado às salas e aos circuitos especializados.

Asghar Farhadi

A programação também recebeu o diretor iraniano Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars de melhor filme internacional, por A Separação e O Apartamento. Em sua primeira visita ao Brasil, o cineasta apresentou Contos Paralelos (Parallel Tales), que teve estreia mundial na competição oficial do Festival de Cannes deste ano.

Estrelado por Catherine Deneuve, Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Adam Bessa e India Hair, o longa acompanha uma escritora em crise criativa que passa a observar os vizinhos em busca de inspiração para um romance. A chegada de um jovem contratado para ajudá-la nas tarefas cotidianas transforma a observação em interferência, aproximando ficção e realidade.

 

Rio de Janeiro (RJ), 09/10/2026 - Festival do Rio de Cinema. diretor iraniano ASGHAR FARHADI. Foto: Anna Karina de Carvalho/Agência Brasil Rio de Janeiro (RJ), 09/10/2026 - Festival do Rio de Cinema. diretor iraniano ASGHAR FARHADI. Foto: Anna Karina de Carvalho/Agência Brasil Diretor iraniano Asghar Farhadi no Festival do Rio. Foto: Anna Karina de Carvalho/Agência

Mercado audiovisual

Além das exibições, o RioMarket, área de negócios do festival, promove encontros e debates sobre financiamento, políticas industriais, coproduções e internacionalização do audiovisual brasileiro.

"O setor movimentou R$ 81,1 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,64% do Produto Interno Bruto (PIB). Os números são de um estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF)", ressalta a diretora do Festival do Rio e do Rio Market, Walkiria Barbosa.

Ela descreve que o volume de recursos evidencia o peso econômico de uma cadeia que envolve produtoras, profissionais técnicos e artísticos, distribuidores, exibidores e empresas de serviços.

"Nesse contexto, festivais como o do Rio contribuem para dar visibilidade às obras, aproximar realizadores de agentes do mercado e estimular oportunidades de negócios", disse Walkiria.

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