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Empresa de ônibus que teve intervenção da Prefeitura volta a ser alvo de operação contra PCC em SP; Investigação diz que Milton Leite é 'dono de fato' da Transwolff

O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) é apontado como dono de fato da TransWolff em São Paulo. Montagem/g1/André Bueno/Rede Câmara A empresa de ônibus Transwolff voltou a ser alvo, nesta quinta-feira (17), de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por acusação de infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A empresa já tinha sido protagonista da Operaçã

Por Redação Publicado em 17 de setembro de 2026 às 09:39 12 min de leitura

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Empresa de ônibus que teve intervenção da Prefeitura volta a ser alvo de operação contra PCC em SP; investigação diz que Milton Leite é 'dono de fato' da Transwolff
Publicado originalmente por [fonte]


O ex-vereador Milton Leite (União Brasil) é apontado como dono de fato da TransWolff em São Paulo.

Montagem/g1/André Bueno/Rede Câmara

A empresa de ônibus Transwolff voltou a ser alvo, nesta quinta-feira (17), de uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por acusação de infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A empresa já tinha sido protagonista da Operação Fim da Linha, em abril de 2024 e, desde então, estava sob intervenção da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A intervenção foi determinada por Nunes por meio do Decreto Municipal nº 63.328, de 9 de abril de 2024. A medida também atingiu, na época, a empresa UPBus.

Após a intervenção da Prefeitura de SP, as linhas da Zona Sul da capital antes operadas pela Transwolff foram transferidas para as empresas Sancetur e Alfa RodoBus. Essa segunda também é acusada de ligação com o crime organizado.

Alfa RodoBus e Transwolff constam na lista de 12 viações de ônibus que foram alvo, nesta quinta-feira (17), da chamada Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no transporte público da capital paulista.

Na decisão do desembargador Sérgio Antônio Ribas, que autorizou as investigações e os mandados de prisão pedidos pelo Ministério Público de São Paulo, a Transwolff é citada como tendo como “dono oculto e de fato” o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil).

“Milton Leite da Silva é citado nominalmente [nas investigações] por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC. Somado a isso há declarações de policiais militares em procedimento junto ao Tribunal de Justiça Militar, que o mesmo seria o dono de fato da empresa Transwolf", disse Sérgio Ribas

Milton Leite (União Brasil) era braço direito do prefeito Ricardo Nunes (MDB) antes de se aposentar.

Divulgação/PMSP

O desembargador decretou a prisão temporária de Milton Leite por 30 dias. Ele está sendo procurado pela polícia e diz que está viajando, mas vai se entregar às autoridades.

“Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Nego veementemente todas as acusações e vou provar minha inocência”, disse o presidente do União Brasil por meio de nota.

“A minha atuação em relação ao setor de transportes se deu a pedido do então prefeito Bruno Covas, em 2019, já que naquela ocasião, como presidente da Câmara, eu ocupava também a função de vice-prefeito na linha sucessória. É público, inclusive, que eu atuei em negociações envolvendo greves no setor”, declarou Leite.

Policiais e dois promotores fizeram buscas nos endereços de Milton Leite e saíram de lá com malotes de documentos.

Questionado sobre o risco de a operação afetar o transporte público da capital, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que **não há risco de interrupção do serviço**. Segundo ele, a prefeitura fez a intervenção na Transwolff em 2024 e posteriormente decretou a caducidade do contrato. “Nenhum risco. Fiz a intervenção em 2024 na Transwolff e [decretei a] caducidade. Essa empresa é administrada pela prefeitura”, afirmou.

Transwolff nega ligação

Por meio de nota, a Transwolff diz que “Milton Leite nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou ‘deu ordens’ na empresa e se reputa que tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade”.

“O empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado em nenhuma outra situação em sua vida até as indevidas imputações da 'Operação Fim de Linha', que estão sendo combatidas na Justiça, com a defesa alegando sua total inocência. O processo administrativo de intervenção ilegal e arbitrário na Transwolff está sendo questionado na Justiça”, diz a empresa.

“Ressalta-se que o decreto de intervenção da Prefeitura se apoia exclusivamente em questões financeiras, comuns a todas as empresas do setor e plenamente sanáveis, não havendo qualquer fundamento criminal, diferentemente do que havia sido inicialmente aventado na intervenção”, afirmou.

Alfa RodoBus

A Alfa RodoBus Transportes já operava no sistema municipal de São Paulo antes da crise envolvendo Transwolff e UPBus. A empresa é concessionária do lote D13, no subsistema local de distribuição da cidade.

A empresa operava com 148 ônibus, atendendo cerca de 90,3 mil passageiros por dia na região Oeste da cidade.

Documentos do Tribunal de Contas do Município (TCM) mostram que a Alfa RodoBus era titular do contrato de concessão do lote D13, com valor contratual de aproximadamente R$ 1,62 bilhão no acordo assinado com a SPTrans em 2019.

A empresa não foi alvo da Operação Fim da Linha, em abril de 2024, mas está na lista de 12 empresas investigadas da Operação Vectura Corrupta, após assumir as operações da UPBus, na Zona Leste de São Paulo.

Após a saída da UPBus do sistema, a Alfa RodoBus assumiu 13 novas linhas na região Leste.

12 empresas investigadas

Veículos da empresa Move Buss, que operam linhas na cidade de São Paulo e são alvo de operação do MP-SP.

Divulgação/Redes Sociais

Doze das 22 empresas de ônibus que operam na cidade de São Paulo são suspeitas de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo o Ministério Público de São Paulo.

Elas foram alvo da Operação Vectura Corrupta, que também tem como alvo o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, que foi preso. (leia mais abaixo)

Essas empresas investigadas possuem mais da metade de todo o sistema de ônibus da capital paulista, que é o maior da América Latina e está entre os cinco maiores do mundo.

Criadas a partir de cooperativas de transportes, operam no chamado subsistema local, dos bairros mais afastados. Este subsistema responde por 6.029 ônibus da frota total de 13.690 veículos.

Veja abaixo as empresas que fazem parte das investigações da Operação Vectura Corrupta:

Viação Transcap Transportes

Alfa Rodobus Transportes

Transwolff Transportes

A2 Transportes

Imperial Transportes

Move Buss Transportes

Pêssego Transportes

Allianz Transportes

Transunião Transportes

Qualibus Transportes

Norte Bus Transportes

Spencer Transportes

A Transwolff — com outra empresa de ônibus, a UPBus — já tinha sido alvo de outra operação, a Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo MP-SP por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC.

As investigações apontam que o dinheiro usado para aumentar o capital da Transwolff poderia ter origem ilícita — ou seja, os recursos seriam provenientes de atividades do PCC.

O esquema envolveria uso de “laranjas” e “CNPJs fantasmas”, facilidades de empresas de fachada para ocultar as verdadeiras origens dos valores, algo típico de lavagem de dinheiro.

Em função dessas suspeitas, a Prefeitura de São Paulo rescindiu os contratos e assumiu o controle da Transwolff e da UPBus em dezembro de 2024. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que não há nenhum risco de ligação com o PCC. "Fiz a intervenção em 2024 na TrasWolf e caducidade, esse empresa é administrada pela prefeitura", afirmou.

Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP

Milton Leite

Milton Leite não foi encontrado pelos policiais que foram à sua casa para cumprir o mandado. Segundo apurou a GloboNews, a polícia passou a considerá-lo foragido diante das circunstâncias encontradas no imóvel. Policiais permanecem no local para cumprir mandado de busca e apreensão.

De acordo com informações obtidas durante a diligência, Milton estava em casa até a tarde de quarta-feira (16). Uma funcionária relatou aos policiais que ele saiu à noite para um compromisso de campanha.

Também foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual.

Em nota, Milton Leite afirmou que está viajando e negou estar foragido. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou o ex-vereador.

Ao todo, a operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Buscas na casa de Milton Leite

TV Globo

Investigação aponta influência de Milton Leite no setor de ônibus

Segundo apuração da GloboNews, a investigação aponta que decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. A conclusão foi sustentada, segundo investigadores, pela análise de interceptações envolvendo operadores e por elementos de outras investigações relacionadas ao papel decisório do ex-vereador.

No pedido que embasou a operação, Milton Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pela facção. O documento também menciona declarações de policiais militares, prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff.

Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, depois de sete mandatos como vereador e de ter presidido a Câmara Municipal por quatro vezes. Atualmente, ele é presidente do União Brasil na cidade de São Paulo. Em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).

A Operação Vectura Corrupta é realizada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.

Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP

Paulo Gomes/TV Globo

Ex-presidente da SPTrans preso

Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, apesar de Levi não aparecer como interlocutor direto de José Daniel Satilite, apontado como um dos personagens centrais do esquema, os dois teriam mantido encontros periódicos.

A investigação afirma que essas reuniões tinham como finalidade tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte, especialmente após a deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo, em 2024.

A defesa de Levi dos Santos Oliveira diz que ele não tem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área.

Outra frente da operação chegou a Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e era candidato a deputado estadual, mas teve o registro cassado. Ele também foi preso nesta quinta.

Danilo já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decurio. Segundo a Polícia Civil, a nova etapa da investigação identificou um "forte vínculo" dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.

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'Sintonia dos Gravatas'

Outra frente da operação investiga a chamada "Sintonia dos Gravatas", núcleo formado por advogados que, segundo a polícia, atuaria diretamente em benefício da organização criminosa, ultrapassando os limites do exercício profissional da advocacia.

Entre os investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu. Segundo a investigação, escritórios e contas bancárias teriam sido utilizados para reuniões, movimentações financeiras e outras atividades de interesse da facção.

O principal investigado apontado nesta fase é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão. A Polícia Civil afirma que ele integra o PCC e funcionaria como intermediário entre empresários, advogados, políticos, pessoas próximas a políticos e integrantes da facção.

Histórico das investigações

O avanço de hoje é um desdobramento direto de duas operações anteriores. Em abril de 2026, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Contaminatio, focada na estrutura de uma fintech gerida pela facção. O objetivo do grupo era usar a empresa de tecnologia financeira para se infiltrar em prefeituras e assumir o gerenciamento do recebimento de tributos, taxas e o contato direto com os munícipes.

Naquela etapa, a investigação desarticulou a rede de doleiros e de operadores de criptoativos usada na lavagem do dinheiro e prendeu um ex-vereador de Santo André.

Toda a apuração teve início em agosto de 2024, com a Operação Decurio. Após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, os investigadores extraíram dados do celular da mulher de um dos líderes da facção. As informações do aparelho levaram à identificação e prisão de chefes da chamada "Sintonia Final" e à descoberta da fintech, que chegou a movimentar cerca de R$ 8 bilhões.

Foi também na primeira fase que surgiram as evidências iniciais do braço político da organização, com a identificação de campanhas de vereadores patrocinadas pela facção e o envolvimento de servidores comissionados em prefeituras do estado.

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