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'Disputa religiosa' em torno de Nossa Senhora Aparecida leva fake news de volta ao centro da eleição presidencial, destaca imprensa internacional

Imagem de Nossa Senhora Aparecida Getty Images via BBC Uma "disputa religiosa desencadeada por notícias falsas" envolvendo Nossa Senhora Aparecida abriu um "novo e improvável campo de batalha" na última semana antes da eleição presidencial, segundo reportagem pubicada pela agência internacional de notícias Bloomberg. O tema, que tomou conta do debate público e das redes sociais no Brasil nos últim

Por Redação Publicado em 29 de setembro de 2026 às 11:30 8 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

'Disputa religiosa' em torno de Nossa Senhora Aparecida leva fake news de volta ao centro da eleição presidencial, destaca imprensa internacional
Publicado originalmente por [fonte]

Imagem de Nossa Senhora Aparecida

Getty Images via BBC

Uma "disputa religiosa desencadeada por notícias falsas" envolvendo Nossa Senhora Aparecida abriu um "novo e improvável campo de batalha" na última semana antes da eleição presidencial, segundo reportagem pubicada pela agência internacional de notícias Bloomberg.

O tema, que tomou conta do debate público e das redes sociais no Brasil nos últimos dias, também ganhou espaço na cobertura da imprensa internacional sobre o pleito de 4 de outubro. Com uma reportagem intitulada "Notícias falsas voltam a agitar a eleição presidencial no Brasil", a agência internacional especializada em economia e mercado financeiro detalhou o que chamou de "a mais recente reviravolta" da campanha eleitoral de 2026.

"Um novo e improvável campo de batalha surgiu no Brasil na reta final antes da eleição presidencial: uma disputa religiosa desencadeada por notícias falsas", diz a Bloomberg.

"É a mais recente reviravolta em uma campanha já sequestrada pela maior fraude bancária da história do país e por uma crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal", continua o texto, em referência ao escândalo do Banco Master e a recente crise entre ministros do STF.

A agência de notícias destaca que a nova disputa entre os dois principais candidatos à presidente, o atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), foi criada por notícias falsas envolvendo a padroeira do Brasil. Tratam-se das postagens que circulam nas redes sociais nos últimos dias associando Flávio Bolsonaro a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Na semana passada, o candidato do PL desmentiu a ideia de que, se eleito, pretende apoiar um suposto projeto de lei nessa direção. "Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto", afirmou Flávio em um vídeo no qual acusa o PT de explorar eleitoralmente o caso.

Não existe um projeto apresentado por Flávio para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O texto no centro da história é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, de Mato Grosso, hoje filiado ao Progressistas.

A Câmara dos Deputados informa que a proposta está arquivada. Seu objetivo era alterar a Lei nº 6.802, de 1980, para substituir a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

A tramitação terminou em 2008. Segundo a Câmara, o projeto foi arquivado naquele ano. Disputa 'pode estar afetando a corrida eleitoral'

Segundo a reportagem publicada pela Bloomberg, a "desinformação se tornou uma característica recorrente das eleições brasileiras", com as autoridades eleitorais interferindo para ordenar a remoção de dezenas de publicações falsas ou enganosas nas eleições de 2022. Dessa vez, diz a agência, a disputa em torno de Nossa Senhora "pode até estar afetando a corrida eleitoral", com uma pesquisa divulgada na segunda-feira (28) sugerindo que o apoio a Lula entre os católicos aumentou.

Segundo pesquisa BTG/Nexus, o petista avançou três pontos percentuais entre eleitores católicos, indo de 44% para 47% em uma semana na pesquisa estimulada. Já Flávio Bolsonaro oscilou negativamente um ponto percentual nesse grupo religioso, de 34% para 33%.

No Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Lula está com 41% de intenção de voto no primeiro turno, seguido pelo bolsonarista, que aparece com 36% da preferência do eleitorado.

Nas simulações de segundo turno, quando o cenário mais provável até aqui é mesmo de uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente voltou a aparecer à frente do senador, segundo as pesquisas divulgadas até a segunda-feira (28/09). Lula aparece com 45% e Flávio, com 44%. Em caso de haver segundo turno, a votação será em 25 de outubro.

"No entanto, a violência, a corrupção e a economia são as maiores preocupações dos brasileiros", diz ainda a Bloomberg. "Com Lula e Bolsonaro praticamente empatados, esta corrida eleitoral promete ainda mais reviravoltas", completa a reportagem. 'Controvérsia alimentada pela esquerda'

A disputa em torno de Nossa Senhora Aparecida também foi foco de outras reportagens na imprensa internacional.

O espanhol El País destacou como a "controvérsia alimentada pela esquerda" envolveu até mesmo líderes da Igreja Católica no país e a Suprema Corte, em uma controvérsia "que pode influenciar uma eleição extremamente acirrada".

"Desde quinta-feira à noite, houve declarações, notas oficiais, acusações mútuas e decisões judiciais contraditórias. As falsidades, que continuam a circular nas redes sociais, podem afetar o que se configura como uma eleição muito acirrada", diz o jornal. "Diversos perfis de esquerda compartilharam a publicação original nas redes sociais, que dizia: 'A família miliciana odeia tanto as mulheres negras que ataca a Virgem Aparecida', e foi publicada originalmente por um humorista chamado Antonio Tabet", lê-se no texto em espanhol.

"Embora ele não tenha mencionado a família Bolsonaro nominalmente, a referência era clara para os brasileiros que acompanham os acontecimentos políticos atuais."

O El País destacou ainda que, após as postagens viralizarem, Flávio disse, sem apresentar provas, que "gente de dentro" da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) articulou a disseminação da fake news.

"A Igreja Católica no Brasil é conhecida por seus laços estreitos com a esquerda. O órgão máximo de representação dos bispos em Roma respondeu com uma declaração afirmando que 'mentiras não se combatem com mentiras'", diz a reportagem.

Outra matéria, da agência de notícias italiana Ansa, apontou ainda que, em reação à polêmica, o vice-presidente da chapa de Lula, Geraldo Alckmin, gravou um vídeo no qual afirma ter recebido mensagens de católicos "preocupados com a direção que o país está tomando".

"A controvérsia surge num contexto em que bispos e arcebispos da Igreja Católica têm defendido publicamente, nas últimas semanas, a soberania nacional e o compromisso com os setores mais pobres da população, posições semelhantes às defendidas pelo católico Lula", diz o texto distribuído pela Ansa. 'Tudo isso em um estado constitucionalmente laico'

A imprensa internacional também destacou como a disputa voltou a colocar em lados opostos ministros do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na sexta-feira (25), André Mendonça, vice-presidente do TSE e também ministro do Supremo, determinou a remoção das publicações nas redes sociais que associavam Flávio Bolsonaro a um suposto projeto para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira do Brasil.

No domingo (27), Flávio Dino, ministro do STF, derrubou a ordem de Mendonça; por fim, na noite de segunda-feira (28/9), o também ministro do Supremo Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e fez voltar a valer, ao menos provisoriamente, a determinação dada por Mendonça no âmbito da Justiça Eleitoral.

Em sua reportagem, a agência Bloomberg destacou que "tudo isso acontece em um estado constitucionalmente laico". No texto publicado no jornal El País, a jornalista Naiara Galarraga Gortázar, correspondente no Brasil, também recorda o histórico do Brasil com notícias falsas em período eleitoral. "Lembre-se que essa tática, agora explorada pela esquerda, já foi usada pelos apoiadores de Bolsonaro nas duas últimas eleições. Em 2018, espalharam a notícia falsa de que o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, que substituiu o então preso Lula, distribuiria um 'kit gay' nas escolas; em 2022, voltaram a fomentar o pânico moral divulgando a notícia falsa de que Lula fecharia igrejas", diz a reportagem. "Na época, o PT protestou veementemente e recorreu aos tribunais eleitorais para que as mensagens fossem retiradas. Agora são os apoiadores de Bolsonaro que exigem a mesma coisa, enquanto a esquerda se envolve na bandeira da liberdade de expressão."

Segundo o El País, ambos os lados sabem que uma pequena margem de votos provavelmente decidirá a eleição. "Apenas uma ínfima porcentagem de eleitores permanece indecisa. Enquanto isso, os favoritos estão apelando para o voto estratégico, na esperança de resolver a eleição neste domingo, enquanto os outros candidatos perdem terreno", diz o texto.

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