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Influenciador ex-candidato a deputado federal vira réu por agir como policial e intimidar flanelinhas no interior de SP

Ex-candidato a deputado federal vira réu por agir como policial e intimidar flanelinhas O influenciador digital Hagara Espresola Ramos, ex-candidato a deputado federal nas eleições 2026, virou réu por usurpação de função pública e constrangimento ilegal por causa de abordagens a flanelinhas, em Ribeirão Preto (SP). Conhecido nas redes sociais como Hagara do Pão de Queijo, ele agiu como se fosse ag

Por Redação Publicado em 14 de outubro de 2026 às 00:00 7 min de leitura

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Influenciador ex-candidato a deputado federal vira réu por agir como policial e intimidar flanelinhas no interior de SP
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Ex-candidato a deputado federal vira réu por agir como policial e intimidar flanelinhas

O influenciador digital Hagara Espresola Ramos, ex-candidato a deputado federal nas eleições 2026, virou réu por usurpação de função pública e constrangimento ilegal por causa de abordagens a flanelinhas, em Ribeirão Preto (SP). Conhecido nas redes sociais como Hagara do Pão de Queijo, ele agiu como se fosse agente público ao abordar flanelinhas perto do Estádio Santa Cruz, em junho deste ano, durante um show de Ana Castela. Segundo o Ministério Público, as ações foram filmadas e publicadas nos perfis dele. Outras quatro pessoas que estavam com ele também viraram rés pelos mesmos crimes. Na mesma decisão, o juiz Lúcio Alberto Eneas da Silva Ferreira, da 4ª Vara Criminal de Ribeirão Preto, mandou Instagram, Facebook e TikTok tirarem do ar, em até 48 horas, os vídeos das abordagens.

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Em nota, a defesa de Hagara afirmou que ele não praticou nenhum ato ilícito e que ainda não teve acesso à íntegra do processo. Segundo a nota, Hagara não foi citado formalmente, e a defesa vai se manifestar sobre a acusação depois de analisar os documentos.

Hagara do Pão de Queijo é réu por usurpação da função pública em Ribeirão Preto (SP)

Reprodução/Redes Sociais

A suspeita de que o grupo atuava como milícia privada, investigada no inquérito da Polícia Civil, ficou fora da denúncia. A pedido do MP, o juiz mandou enviar cópias do processo à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que vai apurar o caso em um inquérito separado.

O que diz a denúncia

Segundo o MP, o grupo chegou ao local em três carros com adesivos de uma empresa de segurança, equipados com luzes azul e vermelha. Hagara vestia um colete semelhante aos usados por policiais.

De acordo com a denúncia, ele mandou um flanelinha colocar a “mão na parede”, rasgou o colete de um guardador, tirou à força o de outro, obrigou um homem a devolver dinheiro e expulsou outros da rua. Em um dos vídeos, segundo o MP, Hagara diz: “Ninguém mais cobrando, limpamos a rua, vagabundo não vai cobrar mais aqui em Ribeirão Preto, não”.

A usurpação de função pública ocorre quando alguém exerce, sem ter cargo, uma atividade própria do Estado. Para a Promotoria, Hagara buscava engajamento nas redes e queria fortalecer a imagem dele perante o eleitorado. Por isso, ele responde pela forma qualificada do crime, aplicada quando o autor obtém vantagem. O MP também o aponta como líder do grupo, o que pode agravar a pena.

O influenciador digital Hagara Espresola Ramos, de Ribeirão Preto (SP).

Redes sociais

Os outros quatro réus são um influenciador, dois apoiadores de Hagara e o filho do dono da empresa de segurança, que, segundo o MP, aparece nos vídeos com o uniforme da empresa. Para a Promotoria, eles faziam a escolta do influenciador.

O dono da empresa virou réu por falso testemunho. Segundo o MP, ele mentiu à Polícia Civil ao dizer que a empresa não trabalhou para Hagara naquela noite. A denúncia afirma que um dos vídeos começa com o grupo saindo em três carros com a marca da empresa.

O MP não ofereceu acordo para evitar o processo. Segundo a Promotoria, os fatos são graves, foram muito divulgados nas redes e envolveram violência e grave ameaça.

O influenciador e ex-candidato a deputado federal Hagara do Pão de Queijo

Redes sociais

O que diz a defesa

Na nota, a defesa afirma que Hagara foi ao local depois de ser procurado por pessoas que relataram constrangimentos e ameaças de flanelinhas. Segundo o texto, ele foi hostilizado por um dos envolvidos e, por isso, chamou a Polícia Militar, que foi ao local.

A defesa diz ainda que Hagara já prestou depoimento e colaborou com as investigações. Afirma também que ele está tranquilo, confia na Justiça e vai continuar o trabalho “em defesa dos interesses da população”.

Em depoimento à Polícia Civil, em agosto, Hagara disse que flanelinhas cobravam de R$ 50 a R$ 80 para estacionar na rua durante um show gratuito. Afirmou que usava um “colete recreativo”, que sempre usa, sem semelhança com uniformes das forças de segurança.

Ele admitiu ter rasgado o colete de um dos flanelinhas, mas negou ter feito revista ou usado violência física. Também disse que o encontro com carros e funcionários da empresa de segurança foi casual.

O que dizem os réus

Em depoimento à Polícia Civil, Hagara afirmou que foi ao local depois de receber denúncias de que flanelinhas cobravam de R$ 50 a R$ 80 para estacionar na rua durante um show gratuito. Disse que usava um “colete recreativo”, que sempre usa, sem semelhança com uniformes das forças de segurança.

Ele admitiu ter rasgado o colete de um dos flanelinhas, mas negou ter feito revista ou usado violência física. Também disse que o encontro com carros e funcionários da empresa de segurança foi casual e que a Polícia Militar foi chamada e foi ao local.

Dois réus se apresentaram à polícia como apoiadores voluntários de Hagara. Um disse que não abordou nenhum flanelinha, e o outro afirmou que não houve violência. O influenciador denunciado disse que foi sozinho ao local, depois de receber reclamações de seguidores, e que gravou vídeos com Hagara sem combinação prévia.

O dono da empresa de segurança disse à polícia que os carros estavam a serviço de uma escola em frente ao estádio e que a empresa não trabalhou para Hagara naquela noite. Segundo o relatório da Polícia Civil, porém, o supervisor da empresa afirmou que Hagara contratou o serviço para fazer a segurança pessoal dele no local.

Milícia vai ser investigada pela DIG

O MP pediu a nova investigação porque, segundo a polícia, os registros feitos pelo próprio grupo indicam atuação organizada e com intenção de continuar. A Promotoria quer a análise de outros vídeos publicados por Hagara e a identificação de pelo menos mais duas pessoas nas “operações”, para verificar se havia uma associação estável, como exige a lei.

Em julho, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca no escritório de Hagara e na sede da empresa de segurança. No escritório, foram apreendidos notebooks e celulares. Na empresa, a polícia encontrou um simulacro de fuzil, dois aparelhos de luz portáteis e um carro com luzes azul e vermelha instaladas.

Segundo a perícia, citada pelo MP, as luzes do carro funcionavam e são de uso exclusivo de veículos oficiais de emergência e segurança.

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