Réu por ligação com o PCC, ex-prefeito de Embu Ney Santos é eleito deputado federal com mais de 116 mil votos
Ney Santos, ex-prefeito de Embu e acusado de ligação com o PCC, é eleito deputado federal com 38ª maior votação em SP. Reprodução/Facebook Réu na Justiça por suposta ligação com o crime organizado, o ex-prefeito de Embu das Artes – Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos (Republicanos), foi eleito deputado federal no último domingo (4), em São Paulo. Com 116.566 votos, Santos figura como 38° cand
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Ney Santos, ex-prefeito de Embu e acusado de ligação com o PCC, é eleito deputado federal com 38ª maior votação em SP.
Reprodução/Facebook
Réu na Justiça por suposta ligação com o crime organizado, o ex-prefeito de Embu das Artes – Claudinei Alves dos Santos, o Ney Santos (Republicanos), foi eleito deputado federal no último domingo (4), em São Paulo. Com 116.566 votos, Santos figura como 38° candidato mais bem votado do estado no pleito deste ano em São Paulo. Porém, ele aguarda decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a impugnação da sua candidatura para saber se poderá tomar posse na Câmara dos Deputados, em Brasília, a partir de 2027. Ney Santos é acusado de envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Em novembro de 2025, o ex-prefeito de Embu foi condenado a três anos e nove meses de prisão por posse de arma com numeração raspada, em decisão de 1ª Instância.
Antes, em 2003, ele foi preso em flagrante sob suspeita de participação no roubo a uma transportadora de valores em Marília. Ele permaneceu preso até 2005 e, posteriormente, foi absolvido por falta de provas. Em 2010, a Justiça decretou a prisão temporária de Ney Santos por cinco dias, durante outra investigação.
Em 2016, ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, sob a acusação de lavar o dinheiro do tráfico de drogas comandado pela facção criminosa PCC.
Nesta quinta, por unanimidade, a 10° Câmara Criminal do TJSP absolveu Ney Santos, do Republicanos, da condenação a 3 anos e 9 meses de reclusão por porte ilegal de armas. Em 28 de fevereiro de 2019, o veículo em que Ney Santos estava foi abordado pela Polícia Rodoviária na cidade de Cosmópolis, interior de SP. Durante a fiscalização, os policiais encontraram no assoalho do carro uma pistola Taurus calibre.380 com a numeração suprimida (raspada) e equipada com mira a laser. Também foram apreendidos carregadores, munições intactas, algemas, um canivete e um colete balístico.
O advogado criminalista Robson Cyrillo, responsável pela defesa, diz que recebeu com satisfação a decisão. Para a defesa, o resultado já era esperado, diante das inconsistências apontadas na sentença de primeiro grau, que justificavam sua reforma.
Pedido de indeferimento
No início da corrida eleitoral, o Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu o indeferimento da candidatura de Ney à Justiça. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), no entanto, autorizou que ele concorresse ao cargo, por não ter condenação em segunda instância, como manda a Lei da Ficha Limpa. A autorização do tribunal foi por 3 votos a 2. Veja a lista completa de todos os deputados federais eleitos no estado de São Paulo em 2026
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O MPE recorreu da decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, que ainda não julgou o caso. O relator do processo é o ministro Floriano de Azevedo Marques. Segundo os procuradores do MPE paulista, além de o ex-prefeito ser réu por “comandar uma organização criminosa e lavagem de dinheiro”, o próprio TSE “já condenou Santos por abuso de poder econômico relacionado a financiamento ilegal de campanha”. "Tem-se, portanto, sólidos elementos de convicção sobre a participação de Claudinei Santos nas atividades do crime organizado, não se vislumbrando seguros indícios de cessação. A manutenção de candidatura vinculada a estruturas do crime organizado representa flagrante violação dos vetores constitucionais da moralidade e da probidade administrativa para o exercício do mandato, demandando a atuação imediata da Justiça Eleitoral", afirma o parecer do MPE. O que diz o candidato
O advogado de defesa de Ney Santos, Joel de Matos Pereira, afirmou, por meio de nota, que "as acusações que sempre são utilizadas para questionar sua candidatura, não passam de factoides requentados". "A cada período eleitoral, reportagens e fatos antigos são novamente resgatados e apresentados como se constituíssem acontecimentos recentes, em uma tentativa de criar um novo fato político e construir perante o eleitorado uma imagem que não guarda correspondência com a realidade dos fatos apurados", afirmou.
"O Sr. Claudinei foi investigado durante 16 anos, em uma investigação que teve início em 2010 e que, mesmo após mais de 13 anos não apontou nenhum indício de prova que o ligasse a qualquer organização criminosa ou a prática delitiva. Sendo, por isso, arquivada por determinação judicial. Ao longo de todos esses 16 anos de investigação, jamais foi apresentada uma fotografia, gravação, interceptação telefônica ou qualquer outro elemento de prova que vincule o Sr. Claudinei a qualquer membro de organização criminosa, ou que sequer registre ou mencione qualquer ligação sua com o crime organizado", declarou (veja íntegra da nota abaixo).
Além de Ney Santos, os procuradores eleitorais apresentaram 557 ações de impugnação de registros de candidatura no estado de São Paulo. Em apenas 16 casos, as ações tiveram como fundamento causas de inelegibilidade previstas na Lei das Inelegibilidades. Republicanos
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal eleito, Ney Santos (Republicanos).
Reprodução/Redes Sociais
O Republicanos, partido ao qual Ney Santos foi eleito, é o mesmo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e tem a maioria dos seus líderes bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), como o deputado Marcos Pereira, que também foi reeleito deputado federal, conquistando 196.681 votos no estado. A irmã de Ney Santos, Ely Santos (Republicanos)- que é deputada federal até o fim de 2026, se candidatou a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e também foi eleita como deputada estadual, somando 82.559 votos.
Ela também é acusada de lavagem de dinheiro e ligação com facção criminosa PCC. Deputada federal Ely Santos e o irmão Ney Santos, prefeito de Embu das Artes, na Grande São Paulo. Irmãos são réus em processo por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas do PCC
Reprodução/Arquivo pessoal
Íntegra da nota de Ney Santos "Claudinei é candidato a deputado federal nas eleições de 2026. Sua trajetória política é pública e conhecida: foi candidato nas eleições de 2010 e 2012, foi eleito prefeito em 2016 e reeleito em 2020. Sua irmã, Ely Santos, também foi candidata e já ocupou cadeira na Câmara dos Deputados. As acusações que sempre são utilizadas para questionar sua candidatura, não passam de factoides requentados. A cada período eleitoral, reportagens e fatos antigos são novamente resgatados e apresentados como se constituíssem acontecimentos recentes, em uma tentativa de criar um novo fato político e construir perante o eleitorado uma imagem que não guarda correspondência com a realidade dos fatos apurados.
O Sr. Claudinei foi investigado durante 16 anos, em uma investigação que teve início em 2010 e que, mesmo após mais de 13 anos não apontou nenhum indício de prova que o ligasse a qualquer organização criminosa ou a prática delitiva. Sendo, por isso, arquivada por determinação judicial. Ao longo de todos esses 16 anos de investigação, jamais foi apresentada uma fotografia, gravação, interceptação telefônica ou qualquer outro elemento de prova que vincule o Sr. Claudinei a qualquer membro de organização criminosa, ou que sequer registre ou mencione qualquer ligação sua com o crime organizado.
O que se verifica, portanto, é a repetição de acusações antigas e de reportagens jornalísticas que, a cada eleição, são novamente utilizadas para tentar atribuir atualidade a fatos que já foram objeto de investigação e que não resultaram em condenação ou no reconhecimento judicial de qualquer vínculo de Claudinei com o crime organizado.
No que diz respeito especificamente ao registro de candidatura, a defesa sustenta que Claudinei preenche integralmente os requisitos legais para o deferimento de seu registro e não possui qualquer causa de inelegibilidade.
A impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, ao buscar atribuir efeitos de inelegibilidade a fatos antigos, já investigados e arquivados por ausência de provas, não encontra respaldo na legislação eleitoral e representa uma atuação contra legem. Inclusive, a arguição de inelegibilidade ou impugnação de registro de candidato quando deduzida de forma temerária ou de manifesta má-fé é tipificada como crime. O debate eleitoral deve ser travado com base em fatos comprovados, decisões judiciais e causas de inelegibilidade efetivamente previstas em lei, e não mediante a repetição de acusações antigas que, embora reapresentadas a cada eleição, permanecem sem o indispensável suporte probatório.
Claudinei confia na Justiça Eleitoral e não tem dúvidas de que seu registro será analisado à luz da legislação aplicável e dos elementos efetivamente constantes dos autos, preservando-se seu direito de disputar as eleições. Assessoria Jurídica de Claudinei Alves dos Santos / Advogado Dr. Joel de Matos Pereira"