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'A música não está separada da política', diz duo espanhol Iseo & Dodosound, que se apresenta nesta sexta em SP

Duo espanhol Iseo & Dodosound. Divulgação A mistura de reggae, dub, música eletrônica e trip hop é a marca do duo espanhol Iseo & Dodosound, que há 12 anos constrói uma sonoridade influenciada pela cultura dos sound systems jamaicanos. Mas, para os artistas, a música vai além dos ritmos. Ela também é uma forma de expressar preocupações sociais e políticas. “Não somos um grupo político, mas sempre

Por Redação Publicado em 9 de outubro de 2026 às 04:00 5 min de leitura

Conteúdo de G1 — ler no site de origem

'A música não está separada da política', diz duo espanhol Iseo & Dodosound, que se apresenta nesta sexta em SP
Publicado originalmente por [fonte]

Duo espanhol Iseo & Dodosound.

Divulgação

A mistura de reggae, dub, música eletrônica e trip hop é a marca do duo espanhol Iseo & Dodosound, que há 12 anos constrói uma sonoridade influenciada pela cultura dos sound systems jamaicanos. Mas, para os artistas, a música vai além dos ritmos. Ela também é uma forma de expressar preocupações sociais e políticas.

“Não somos um grupo político, mas sempre estamos fazendo política”, afirma Alberto García Iriarte, conhecido como Dodosound, ao lado da cantora Leire Villanueva, a "Iseo", em entrevista ao g1, realizada na quarta-feira (7), por chamada de vídeo. "A música não está separada da política."

O duo terminava de fechar as malas para vir ao Brasil. A dupla se apresenta nesta sexta-feira (9), no Cine Joia, na região central de São Paulo. O show integra a programação do "Mucho! Ciudad Sonora" e marca a terceira passagem do grupo pelo Brasil.

Segundo Dodosound, as questões que afetam a sociedade também atravessam o trabalho dos artistas. Isso aparece nas letras, nos shows e nas mensagens que a dupla procura transmitir ao público.

“Temos de prestar atenção a essas problemáticas, dedicar-lhes alguns versos, mostrar nosso descontentamento, mostrar nossa solidariedade também, fazer uma espécie de refúgio diante deste fascismo que nos atropela agora”, diz o músico.

Para Leire, essa relação é inseparável da própria experiência de viver em sociedade. A cantora afirma que sentimentos como raiva, frustração e solidariedade diante de situações injustas acabam aparecendo nas composições.

“Todos vivemos em sociedade e, no nosso caso, como artistas, isso aparece na nossa arte”, afirma.

Ponte entre países

A relação com o público brasileiro é uma das razões pelas quais a dupla diz ter expectativa para o retorno ao país. A primeira passagem pela América Latina aconteceu em 2018. Depois de voltar ao Brasil em 2025, os músicos se apresentam novamente em São Paulo.

Para Leire, a música tem a capacidade de aproximar pessoas de diferentes países mesmo quando elas não compreendem a língua das canções. Ela vê um movimento crescente de intercâmbio entre artistas latino-americanos e espanhóis, embora a distância e os custos de viagens ainda dificultem a circulação de grupos independentes.

A cantora avalia que o público tem ampliado o interesse por músicas em idiomas diferentes do inglês, movimento que pode favorecer a aproximação entre cenas musicais. Para ela, essa troca entre América Latina e Espanha já está em curso, mas precisa de tempo para se fortalecer.

"A música é uma forma de criar pontes. Afinal, todos nós ouvimos músicas cujas letras nem sempre entendemos, seja pela língua ou por qualquer outro motivo", diz.

Dodosound lembra que a música brasileira já tem uma história de circulação na Espanha. Ele cita artistas como Caetano Veloso e Carlinhos Brown entre os nomes que chegaram ao público espanhol e destaca a presença de canções brasileiras nas rádios do país.

Leire, por sua vez, aponta a bossa nova e nomes como Gilberto Gil e Caetano Veloso entre suas principais referências brasileiras.

Apesar dessa conexão cultural, Dodosound afirma que a distância geográfica continua sendo um obstáculo para a troca entre músicos dos dois países.

Disco em castelhano A apresentação em São Paulo acontece durante a turnê de “Volando”, quinto álbum de estúdio do duo, lançado em 2026. O disco é o segundo trabalho inteiramente cantado em castelhano, depois de “En la Tormenta”, de 2024.

Na Espanha, o castelhano, ou espanhol, é a língua oficial do Estado e é falado em diversos países da América Latina, como México, Argentina, Colômbia, Chile e Peru. O país também tem outras línguas oficiais em determinadas regiões, como o catalão, o galego e o basco. Embora compartilhem o espanhol, os países latino-americanos desenvolveram sotaques, expressões e particularidades próprias, influenciadas por suas histórias e culturas.

Segundo Dodosound, a decisão de compor no idioma foi acontecendo naturalmente. No início da carreira, a dupla escrevia principalmente em inglês, língua presente em boa parte da música que os influenciava. Com o tempo, o castelhano passou a ganhar espaço até se tornar a língua de um álbum inteiro.

Para o músico, cantar no próprio idioma permite explorar outras possibilidades de expressão e composição.

Ele também diz que a escolha foi uma maneira de se aproximar do público que acompanhava a dupla e esperava ouvir um disco em espanhol. A experiência foi bem recebida, e a dupla decidiu manter o idioma em “Volando”, sem descartar composições futuras em inglês ou outras línguas.

Apesar da mudança no idioma e da experiência acumulada ao longo de cinco álbuns, Leire afirma que o duo não procura transformar radicalmente sua sonoridade a cada lançamento.

A cantora compara a evolução musical do grupo ao curso de um rio: o caminho muda, ganha velocidade ou faz curvas, mas preserva sua essência. A liberdade para experimentar, segundo ela, continua sendo um dos princípios do projeto.

SERVIÇO:

📅 Quando? Sexta (9), às 22h

📍 Onde? Cine Joia | Praça Carlos Gomes, 82 - Liberdade, Centro

💲 Quanto? A partir de R$ 110

➡️ Mais informações e ingressos

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